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São Bernardo

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Número 11 - Ano 03 - Dezembro 2009
São Bernardo
Nobre alpino

   Em plenos Alpes, terra conhecida pelos seus chocolates, teve origem um cão que é também um doce. Um gentil gigante, cuja fama de salvar vidas correu mundo e lhe granjeou a mais nobre das reputações. Alpinistas e homens da montanha há muito que relatam os seus feitos.

Origem
   O São Bernardo é uma raça suíça. A sua origem cruza-se com a história do Albergue do Grande São Bernardo, um refúgio no topo do Passo do Grande São Bernardo, situado a 2469 metros de altitude que, fundado por monges beneditinos no século XI, se destinava a acolher e albergar peregrinos e viajantes que se aventuravam por aquelas paragens frias e brancas de neve. Todavia, apenas em finais do século XVII surgem os primeiros registos que confirmam a presença, no Albergue, de grandes cães de montanha, possantes e corajosos que, acolhidos pelos monges, cumpriam já funções de guarda e de defesa. Tanto pela sua domesticação e cruzamentos sistemáticos que visavam alcançar um cão de trabalho e de resgate, como pelo calmo convívio monacal, como ainda pela sua natureza companheira, abnegada e afectuosa, este grande cão não tardou a servir de guia aos viajantes de passagem e revelou-se não apenas útil como mestre a encontrar e salvar vidas humanas, perdidas nos temporais ou soterradas na neve, furtando-as à temível morte branca. Histórias contadas de boca em boca e muitas crónicas publicadas sobre os feitos destes gigantes cães dos Alpes tornaram lenda muitos dos seus feitos. Para tal, muito contribuíram os testemunhos das tropas de Napoleão que, em 1800, atravessaram o Passo do Grande São Bernardo. Assim nasceu e cresceu a fama da raça que, em pouco tempo, tinha conquistado mais território do que as tropas de Bonaparte.

Se o Schrek fosse suíço, teria seguramente um São Bernardo

História
   A história documentada desta raça é bem mais recente do que terá sido a sua origem. Não esquecer que o São Bernardo pertence ao denominado Grupo 2, que reúne os cães do tipo Pinscher e Schnauzer, Molossóides, Cães de Montanha e Boieiros Suíços. Ou seja, cães de grande porte, solitários e preparados para alguns dos mais agrestes climas do planeta, bem como dotados de um incrível sistema de orientação. Os seus antepassados terão sido, precisamente, cães de grande porte da regi ão alpina, cujo uso nas quintas, como cão de trabalho e de guarda, era muito procurado pelos campesinos, eles próprios habituados a uma dolorosa solidão durante os meses mais agrestes do Inverno alpino. O entendimento entre estes dois solitários, lavradores isolados e cães de montanha, foi tão simples quanto encaixar as peças correctas num puzzle. O apuramento da raça, em função do tipo pretendido, foi obra de gerações, mas só em 1847, o suíço Henrick Schumaker, de Holligen, não muito longe de Berna, tratou de documentar a genealogia dos seus cães. Era o início da oficialização da raça, que conquistou o livro suíço de origens logo em 1884. O primeiro São Bernardo a registar-se oficialmente no dito livro dava pelo nome de Léon. Ainda nesse mesmo ano, de finais do século XIX, foi fundado na cidade suíça de Basileia o Clube Suíço do Cão de São Bernardo. O reconhecimento internacional desta raça suíça aconteceu por ocasião do Congresso Cinológico Internacional, em Junho de 1887. Desde então, e esta terá sido uma das primeiras grandes honras de âmbito nacional que recebeu, o Cão de São Bernardo é o cão nacional da suíça.

Morfologia
   Os dados que maior curiosidade suscitam sobre esta raça, dizem respeito ao peso e altura destes pachorrentos gigantes. Pois eles aqui ficam: — Peso: entre os 100 e os 120 quilos — Altura: entre os 70 e os 90 cm, para os machos, e entre os 65 e os 80 cm, para as fêmeas. Quanto ao seu aspecto geral, poucos cães haverá que sejam tão facilmente reconhecíveis quanto este grandalhão de olhar tristonho e andar dengoso. No geral, é um cão possante e imponente que, quando visto de frente, se apresenta de peito amplo e cabeça larga e forte, muito embora os traços arredondados, que suavizam a sua dimensão. Sobre os olhos inclinados — cuja cor vai do avelã ao castanho-escuro —, ligeiras pregas que tornam a sua expressão tão desoladoramente meiga e encantadora. Tudo o resto é, moderadamente, para não dizer generosamente, possante e bem desenvolvido, muito embora obrigue a uma harmonia de conjunto, mas isso é coisa para concursos. Musculado, pujante e imponente, largo, potente e firme são tudo adjectivos que ocorrem quer numa avaliação geral quer de pormenor. A cauda, por exemplo, é longa e pesada; a coxa é larga, forte e pesada, enquanto as patas, dotadas de ossatura forte, a condizer com a musculatura, pois claro, se apresentam largas e sólidas. Enfim, é este o quadro geral, de um cão único… grande e pesado que, ainda assim, tem um movimento harmonioso com passadas (já adivinhou) seguras e de grande amplitude.
   O que pode ser menos conhecida é a existência de duas variedades de pêlo, ambas, porém, de pêlo duplo:
   Curto — Nesta variante o pêlo de cobertura é denso, liso e áspero. Apresenta ligeiras franjas nas coxas e caudas muito densas.
   Comprido — O pêlo de cobertura é liso e de comprimento médio, enquanto o subpêlo se apresenta ondulado nalgumas zonas do corpo, caso da anca e sobre a garupa e descai em franjas nas coxas. Ainda assim, na face e nas orelhas, o pêlo é curto.
   Quanto à cor, o fundo é branco e sobre ele há manchas de um tom de castanho avermelhado, muitas vezes o tom resvala para o dourado. Na cabeça, pretende-se que esteja presente a cor de carvão.

A sua maior vocação sempre foi encontrar e salvar homens presos nas armadilhas do frio e da neve

Temperamento
   Amável, dócil, calmo, vivo, atento, leal, vigilante, tolerante e companheiro. Não vale a pena inventar, este cão tem uma boa natureza e um carácter amistoso, seja com pessoas, seja qual for a sua idade, seja com outros animais, seja qual for a sua espécie. Desde sempre que é utilizado como cão de guarda, uma vez que o seu tamanho, a dimensão da boca, a força da sua dentada e a ideia de ver uma centena de quilos em corrida desenfreada sobre alguém bastar para intimidar. Mas o que ele é, no fundo, é um bom companheiro.

Prós e Contras
   O pêlo, nesta raça, é aquilo que mais tempo requer, pois as escovagens devem ser frequentes, pelo menos, duas vezes por semana. De resto, os cuidados com o banho, a higiene oral, a limpeza dos olhos e das orelhas é bastante semelhante aos que qualquer outra raça exige. Desde que cumprido o plano de vacinação, feitas as regulares desparazitações interiores e exteriores, o São Bernardo é um cão saudável. A maior preocupação vai para a alimentação já que o seu peso deve ser vigiado, para que não se torne obeso. Obrigue-o ao exercício físico, o que ajudará igualmente a prevenir displasias, sempre mais frequentes em cães grandes e pesados.


 
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Número 08 - Ano 04 - Setembro 2010
 


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