Cão de guarda e de pastoreio, O Cão de Castro Laboreiro alia instinto puro e inteligência. De tal forma que, sabendo serem elas o elo mais fraco, é junto das ovelhas que se deita após cada uma das suas rondas pela serrania que lhe moldou o corpo e o feitio. O que não deixa de ser romântico é que esta raça da região minhota de Castro Laboreiro tenha precisamente a cor do monte.
Origem
Sem mistérios, esta raça é de Castro Laboreiro, zona minhota — da qual assumiu o nome — que se situa entre os rios Minho e Lima, bem a Norte de Portugal. Uma zona tão a norte e tão alta que há séculos que o Cão de Castro Laboreiro se habituou, sem dramas, a viver acima dos 1000 metros, sendo possível encontrá-lo a 1400 metros de altitude. A serrania - paisagem rochosa de lugarejos de difícil acesso e clima rude e inóspito -, esculpiu- lhe o temperamento e o carácter, moldados ainda pelo isolamento a que também a sua função primeira, o pastoreio, obriga. À semelhança de outras duas raças nacionais, o Rafeiro do Alentejo e o Serra da Estrela, a sua origem, ainda que incerta, pode fixar-se no Tibete. Outras serranias que, de tão a norte, se conhecem por tecto do mundo. Dessas terras altas maternas, estes grandes cães de guarda e pastoreio terão, ao longo dos milénios, descido e sido adoptados por paisagens semelhantes um pouco por toda a Europa, onde terão desenvolvido linhagens distintas. Em Portugal, um desses casos terá sido a do Cão de Castro Laboreiro. Teoria que muitos secundarizam a favor de uma outra: a de que, a partir do lobo, terá sido o Homem a domesticar e a criar esta raça. Inegável é o facto de ser um cão de clima frio e paisagens agrestes.
Sentinela por natureza, é hoje utilizado pela polícia
História
Durante muito tempo confinada a um espaço geográfico delimitado — ainda hoje, é uma raça pouco conhecida ou mesmo desconhecida fora do Minho —

a raça conseguiu manter naturalmente a sua pureza genética, sem que isso envolvesse esforços ou preocupações humanas. Ao ponto de ainda hoje manter traços que a unem em linha directa com os lobos, caso dos olhos amarelos, presente em muitos exemplares, e dos seus instintos de guarda, com os quais defende a sua matilha. Os tempos modernos, a quebra do isolamento das terras montanhosas, bem como a redução drástica da densidade populacional humana e consequente quebra do número de indivíduos da raça, alteraram completamente este cenário. A despreocupação deu lugar a acções mais ou menos concertadas, a fim de manter a pureza da raça, evitando o seu cruzamento indiscriminado com raças forasteiras e, assim, garantir o perpetuar da genuidade da raça. Uma luta consciente por parte de quem lá vive e conhece de perto o valor do Cão de Castro Laboreiro. Ele assegurou a subsistência dos donos durante mais tempo do que aquele que alguma vez disporemos para contar a sua história, guardando com a vida os bens mais preciosos das gentes serranas: os rebanhos. Uma responsabilidade que lhe era imposta em exclusividade. Mas nessa tarefa ele é mais do que expert. Num primeiro momento, faz rondas de reconhecimento, a fim de despistar a presença de ameaças, ou seja, de lobos. Assegurado o perímetro, permanece junto ao gado, sempre à escuta, sempre em guarda, mesmo quando parece tranquilo. A sua inteligência e habilidade para o pastoreio vão ao ponto de permanecer colado aos animais mais vulneráveis, por norma, as ovelhas, presas de eleição das matilhas de lobos. Proteger a casa de estranhos é outra das suas habilidades, mas todas cumpre com empenho e dedicação.
Dele, o dono pode esperar coragem, valentia, docilidade e nobreza de carácter
Morfologia
Vistoso e vigoroso. Um duplo V que, grosso modo, traça o perfil da raça que tem características de mastim. A isto se junta uma característica muito própria e distintiva, o seu ladrar uivado. Tem na cabeça as linhas que melhor a definem. As orelhas, trianguladas, têm pontas arredondadas e pendem paralelas junto à cabeça, inclinando- se para a frente quando em alerta. A cor dos olhos, de inserção oblíqua e médios no tamanho, vão do amarelo/castanho claro ao castanhoescuro, muito próximo do preto, o que varia em função da tonalidade da pelagem. O seu olhar é pouco amistoso, o que lhe confere uma expressão severa. O maxilar é musculado e potente e antecede um pescoço

curto e possante que culmina no peito alto e profundo. O dorso apresenta uma linha horizontal sendo a região lombar forte e musculada o que é sublinhado pelo facto de ser larga e curta. A pelagem de tom baço é resistente, grossa e áspera ainda que composta por pêlo liso e curto (cerca de cinco centímetros). A excepção vai para a cabeça onde se apresenta mais fino, logo, mais suave ao tacto, e para a cauda e nádegas, onde é mais longo e espesso. Quanto à cor, o lobeiro é o mais comum. A preferida, segundo os locais e os criadores castrenses, é a cor do monte, na qual se mesclam com a cor preta, tons acastanhados da cor do pinhão ou avermelhados, a lembrar o mogno. Ainda que possante, é um cão ágil. Para os entendidos, isto é dizer obviamente muito pouco sobre esta raça de eleição.
Pouco difundido a Sul, ele é uma autêntica jóia da coroa
Temperamento
Ter um Cão de Castro Laboreiro é conhecer o verdadeiro significado dos termos dedicação e lealdade ao dono. Só a ele obedece e só perante ele é dócil e amistoso, sendo pouco dado a estranhos, até porque toda a vida foi forçado a desconfiar deles, e, no isolamento da serra, quase sempre com razão. É um cão rústico, mas o seu temperamento é nobre, dedicando a sua vida à protecção do dono e dos seus haveres. Tem, portanto, um forte sentido de defesa do território, o que o torna hostil perante o que não conhece, muito embora não procure desacatos. Inteligente e autónomo, age com valentia. É de tal forma eficaz que é actualmente utilizado pela polícia, pois todas estas suas características, quando treinadas, o tornam um agente excepcional. É um sentinela sem igual. Tudo o que é confiado à sua guarda merece um olhar atento e ininterrupto. Corajoso, valente, solidário e dedicado, o Cão de Castro Laboreiro é um verdadeiro tesouro nacional.
Prós e contras
Todos os cães de guarda exigem, desde tenra idade, uma maior sociabilização, a fim de não verem em cada visita um estranho a vigiar e em cada animal um inimigo. Ensiná-lo não será difícil, pois é sagaz, arguto, inteligente e devotado ao dono, tudo fazendo para corresponder ao exigido. É um cão de porte considerável, exige espaço, e, sendo um cão de guarda, gosta de fazer as suas rondas e vigílias no exterior. Requer exercício físico. Já a sua pelagem, curta, não pede muitas escovagens, muito embora, o pêlo e a pele, fiquem a ganhar em saúde e aparência com um mínimo de cuidado.