Skogkatt, em dinamarquês, quer literalmente dizer gato dos bosques. Em qualquer outra língua é sinónimo de uma das mais belas aventuras felinas. Aventure-se, pois este gato é um festival para os sentidos. Para os cinco sentidos.
Origem
Sem surpresas, esta raça vem mesmo dos bosques da Noruega, país montanhoso e

decorado com fiordes e um sem número de florestas. Os seus Verões são curtos e frescos e os Invernos gelados, longos e duros, aos quais neve e ventos fortes não são alheios. Mas foi precisamente neste inóspito cenário que a Mãe Natureza encontrou inspiração para criar uma das suas pérolas felinas. Esta raça natural, cujo desenvolvimento nada deve ao Homem, criou, ao longo dos tempos, defesas e mecanismos para sobreviver em estado selvagem, nesta paisagem gélida, onde o primeiro Inverno consistia na prova de fogo, uma espécie de selecção natural, à qual apenas os mais fortes e capazes sobreviviam. Porém, a dureza do meio circundante não parece ter interferido no seu carácter, que nada tem de selvagem, nem sequer de bicho do mato. A beleza deste felino dos bosques, mas de modos gentis e dóceis, depressa cativou os humanos, a quem serviam no propósito de proteger de roedores as suas provisões. Em troca, ganharam abrigo, companhia nas noites longas e comida. De empregados dos celeiros, a convidados de honra junto à lareira, foi apenas uma questão de confiança e amizade. O orgulho na raça veio depois, com a sua apresentação em concurso.
História
Os noruegueses atrevem-se a defender que o Gato dos Bosques da Noruega existe desde o primeiro dia da Criação. Ainda que apreciando o romantismo, aquilo que, com propriedade, se pode afirmar, é que é uma raça muito antiga, ao ponto de ser protagonista de contos e lendas ancestrais, daquelas que percorrem os séculos, com inclusão na própria mitologia escandinava. Num desses registos, a deusa Frevja conduz uma carruagem puxada por dois grandes gatos brancos. Noutra, o próprio Thor, uma das mais emblemáticas e poderosas personagens da mitologia daquelas paragens, vê-se confrontado por um gato gigante. O folclore retrata ainda um gato que, apenas com a sua conversa mansa e persuasora, vence um ser maligno, conquistando, para o seu amo, um reino de riquezas. Até nós já imaginamos o gato das Botas Altas nestas andanças. Mas deixemos as páginas de contos e saltemos para as dos livros de História, aqueles que alegam ser esta a mais antiga raça de gatos do Norte da Europa, com cerca de 4000 anos, e que dão como certas outras aventuras não menos emocionantes. A raça terá acompanhado as campanhas marítimas dos Vikings, onde, mais uma vez, lhes competia manter os roedores longe dos porões dos navios. De gatos dos bosques a marinheiros viajados, que tal este guião? Este passado auspicioso e heróico quase se perdeu, devido ao cruzamento livre desta raça com outros gatos. O problema não passou despercebido, mas os esforços concertados de um grupo de admiradores apenas puderam ser levados a cabo após o término da Segunda Grande Guerra. Admitido a concurso na Europa, acaba por conquistar o nobre título de gato oficial da Noruega, concedido pelo rei Olaf. Na década de 70, na posse de certificados oficiais, passou a ser exportado para todo o mundo.
Morfologia
Adquirir um destes gatos, é mesmo levar dois pelo preço de um. Isto porque a mudança de pêlo anual é de tal forma pronunciada que na Primavera quase não se reconhece o gato que tínhamos no Inverno e viceversa. Mantêm-se inalteradas a magnificência da cauda farfalhuda, bem como os pêlos que cobrem a parte inte

rior das orelhas — cuja função é proteger o ouvido do vento e da neve —, tudo o resto parece metamorfosear- se. Por isso, quando o seu gato perder o soberbo manto de pêlo longo, denso e impenetrável (ainda mais extraordinário num gato adulto, ou seja, com cinco ou mais anos), assim que o sol aquece, não se apoquente, pois vai recuperá-lo logo que o tempo arrefeça. Por mais engenhoso que seja o Homem, nada se compara ao prodigioso talento da Natureza, especialmente dotado aquando da eleição das cores desta raça. Ela apresenta as mais variadas tonalidades, do branco imaculado ao mais negro dos pretos. Estes últimos exigem um pêlo menos espesso, uma vez que absorvem melhor o calor, enquanto os brancos são mais felpudos e têm um subpêlo mais denso, já que o branco reflecte a luz. Outras colorações podem até mudar de tom num acompanhamento ritmado das estações.
O seu corpo grande e musculado assenta em fortes patas com mãos largas, que lhe conferem estabilidade quando caminha na neve, força quando escala as vertentes rochosas das montanhas ou sobe a gigantes árvores, ou apenas lhe permitem velocidade quando foge do perigo. O seu olhar, vivo e expressivo, é vigilante e parece em permanente alerta, o que vai bem com as amplas orelhas. Ambos se inscrevem numa cabeça triangular. A cauda é um verdadeiro luxo, mas também ela cumpre a sua função: manter o gato quente, pois é nela que enterra o focinho quando se aninha para dormir; aquecer a ninhada; e ainda conferir-lhe equilíbrio, tão necessário no inóspito meio em que nasceu. Por vezes, apenas a exibe com orgulho.
Este gato foi feito para o maravilhar. Se o permitir, vai ainda ser o seu melhor amigo
Temperamento
Ainda que tenha surgido nas florestas, este gato é talhado para… o colo humano, mas não no Verão, altura em que prefere o seu canto, ainda que sempre junto do dono. Na verdade, é um gato caseiro absolutamente vocacionado para estar entre humanos e suficientemente calmo e paciente para adorar crianças e outros animais, além de que é provido de uma espécie de sentido maternal, achando que a todos deve proteger e amar. Têm tanto de curiosos como de inteligentes e confiam nos outros, quem tomam sempre por amigo. A este carácter sociável, junta-se uma enorme capacidade de adaptação, pelo que não importa se tem uma casa com jardim ou se vive num apartamento. Ele encontrará sempre maneira de ser feliz ao seu lado, assumindo o papel de melhor amigo, companheiro e parceiro de brincadeiras.
Prós e contras
O pêlo longo, contrariamente ao esperado, não exige cuidados diários, afinal, a Mãe Natureza sabe bem o que faz. Porém, uma vez por semana, principalmente na época de muda, é bem vinda. O que não deve descurar é um tronco, ou qualquer outro apetrecho, que encontrará nas lojas de animais de estimação, para afiar as suas garras fortes. E se o quer fazer mesmo muito feliz, proporcione- lhe uma estrutura que ele possa subir e descer, num misto de actividade física e de brincadeira. Com tanta informação genética a ligá- lo à floresta, pode crer que o Gato dos Bosques da Noruega adora olhar o seu território lá bem do cimo. Em relação a este deus-gato apenas encontramos um grande contra: o facto de, provavelmente, não conseguir ter apenas um.