Com apenas 113 gramas de peso, a minúscula Andorinha do Ártico faz a mais longa migração alguma vez testemunhada numa ave. Numa rota ziguezagueante (Antártida, África, América do Sul e Ártico), que visa evitar voar contra o vento, esta pequena ave percorre 71 mil quilómetros entre a Gronelândia e o Ártico, ou seja, duas vezes mais do que o inicialmente suposto pela comunidade científica. Um dado que coloca em segundo lugar a Pardela- de-bico-preto, ave que, com uma média de 6440 quilómetros, era, até à data, tida como a recordista de distância migratória. Tendo em conta a esperança média de vida das Andorinhas do Ártico, Carsten Egevang, do Greenland institute of Natural Resources, líder do estudo, prevê que, ao longo da sua vida, esta espécie percorra 2,4 milhões de quilómetros, o equivalente a três viagens de ída e volta à Lua. O estudo foi apenas possível graças aos avanços tecnológicos que permitiram o fabrico — da responsabilidade de uma equipa do British Antarctic Survey — de um dispositivo de localização suficientemente pequeno e leve (apenas 1,4 gramas) que pudesse ser transportado por aves de tão pequeno porte. O que permitiu um outro dado surpreendente: estas pequenas aves, não raras vezes, permanecem um mês em pleno Oceano Atlântico, supõe-se que para 'encherem a barriga' de peixe e pequenos crustáceos antes de encetarem a sua longa jornada. |