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Cornish Rex

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Número 02 - Ano 04 - Fevereiro 2010
Cornish Rex
Um ser do outro mundo

   Poucas raças enganam tanto quanto esta. O porte estilizado, o ar sofisticado e altivo, o exotismo dos traços escondem apenas um felino atento, veloz, brincalhão, activo, inteligente, devoto aos donos e muito folião. É mesmo verdade: quem vê caras não vê corações.

Origem
   Antes de mais, não é um gato egípcio, muito embora se assemelhe com alguma estatuária milenar que se conhece da época faraónica. A sua exótica fisionomia tem origem na Cornualha, em Inglaterra, daí o nome Cornish — natural da Cornualha —, e, segundo registos dos quais não há razão para duvidar, no dia 21 de Julho de 1950, para maior exactidão. Não obstante o ar aristocrático, as origens são humildes. Veio ao mundo num celeiro rural de uma quinta, em Bodmin Moor. Filho de Serena, uma gata doméstica, recebeu o nome de Kallibunker, bem como toda a atenção da dona, Nina Ennismore. Afinal, de entre os cinco novos gatinhos, este era completamente diferente, aliás, era distinto de qualquer outro gato que Nina tivesse visto. Este macho, cor-de-laranja e branco, tinha um extraordinário pêlo curto e encaracolado que cobria o seu corpo demasiado longo, ao qual acrescia ainda uma longa e fina cauda. Completavam o estranho quadro, uma cabeça afilada e umas orelhas estravagantemente largas. Um simples gatinho, que se destacava de forma quase aberrante, daria origem a uma raça sem precedentes.

O primeiro Cornish Rex nasceu dia 21 de Julho de 1950

História
   Perante tantas diferença, demasiadas para se ficar indiferente, Nina Ennismore percebeu tratar-se de uma mutação única e consultou um geneticista britânico. Também nele, o jovem Kallibunker causou espanto e, a conselho do especialista, Nina iniciou um programa de criação selectiva. Estava, agora, perante a necessidade de dar um nome a esta nova raça de gatos estilizados, mas de divertido pêlo encaracolado. Cornish, pareceulhe apropriado, dadas as origens geográficas do primeiro de todos os novos gatinhos. Rex, porque a pelagem tem muito em comum com a dos coelhos da raça Astrex. Os amantes de felinos não tardaram a interessar-se por eles e, logo em 1957, foram exportados dois para os EUA. Um acabaria por morrer pouco tempo depois, já em terras do Tio Sam. Porém, o outro, uma fêmea, grávida de um dos filhos do patriarca Kallibunkers, sobreviveu, o que fez com que se tornasse detentora de um importante estatuto: o de fundadora da raça na América do Norte. A fim de diversificar a genética desta nova raça, Americans Shorthairs, Havana Browns e Siameses foram chamados a dar o seu contributo, com o qual se alargou, entre outros, o leque de cores e padrões do Cornish Rex.

Uma mutação natural deu origem a um gato único, e de pêlo encaracolado

Morfologia
   Quase não sabemos por onde começar, tantos são os traços distintivos da raça. Mas porque o seu pêlo sempre despertou a maior de todas as curiosidades, iniciemos pela pelagem. A ondulação do pêlo não poupou sequer os bigodes, também eles curtos e ondulados. Ainda assim, é bastante curto, quase uma segunda pele, de tão rente que fica ao corpo. Ao toque, é de uma suavidade inesperada, desde sempre comparada ao veludo, ao pêlo de coelho ou à seda. A suavidade do toque deve-se à ausência dos pêlos exteriores e mais rijos que costumam defender os gatos, numa última camada, que se sobrepõe aos pêlos medianos e aos mais curtos e rentes à pele. Acontece que o Cornish apenas se fica por estas duas últimas camadas. A cabeça — pequena e oval com maçãs do rosto altas e salientes —, de onde saem umas inesperadas e gigantes orelhas, ganham expressividade por encimarem um corpo longo, esguio, magro, de dorso arqueado, de patas altas e finas e em tudo estilizado, parecendo mais um desenho do que uma criação ocasional da caprichosa Mãe Natureza. Uma delicadeza enganadora, já que são gatos com uma boa e sólida estrutura óssea e muscular. Tudo junto, parecem feitos para longos saltos, escalada, arranques e paragens céleres e curvas apertadas. Um gato deveras aerodinâmico, quase se pode dizer. E o animal percebe-o bem, tal o prazer que retira da velocidade. Nesta perfeita afinação, não faltam uns olhos grandes, amendoados e de olhar penetrante, dos quais desce um nariz... aquilino. Traços que em nada variam seja qual for a cor do animal, que permite todo o tipo de coloração.

Temperamento
   São gatos atléticos que necessitam e procuram actividades, sendo muito criativos a encontrá-las. Um traço de carácter que se mantém pela vida fora. Importa deixar claro que, apesar do seu aspecto elitista, quase snob, estes são gatos extraordinariamente amigos, vocacionados para a vida em família, orientados para as pessoas, sociáveis e brincalhões, permitindo uma constante e rica interactividade. É um típico felino, ágil, curioso, participativo, enérgico... Tudo é uma brincadeira, pelo que não se admire se de repente lhe surgir um brinquedo aos pés: é ele a pedir distracção. Claro que o dono se cansa muito antes do Cornish, mas logo ele encontrará uma prateleira, um armário, uma gaveta para explorar, antes de dar mais um sprint pelo corredor e voltar a saltar para cima de si em busca de nova actividade. Mas este doidivanas é inteligente, afectuoso, observador e muito participativo: vai querer ajudar, seja qual for a tarefa. Precisa de ajuda?

O ar sofisticado e snob esconde, afinal, um felino inteligente, brincalhão, prático e dedicado

Prós e Contras
   A falta de uma das camadas habituais de pêlo, a exterior, faz com que sejam mais sensíveis ao clima, e procurem constantemente fontes de calor, sendo o colo do dono, a preferida. Por terem uma pelagem tão rente, criou-se o mito de que a raça é hipoalergénica, o que não é verdade. O Cornish também muda de pêlo e as cerdas também caem, apenas são mais difíceis de serem vistas nas carpetes e almofadas, por serem mais curtas e finas. Os pêlos podem, eventualmente, ser melhor tolerados por pessoas com alergia, mas nada mais do que isso. Até porque, convém explicar, a causadora da alergia nos humanos é uma proteína designada por Fel d1, que se encontra na saliva e glândulas sebáceas dos felinos, as quais passam para o pêlo do animal, seja através dos seus banhos de língua, seja pela simples escovagem, e o Cornish Rex produz esta proteína como as restantes raças. Não se deixe enganar ainda pelo pêlo, o qual, por ser curto, pode sugerir menor necessidade de banho. Pelo contrário, em alguns exemplares, as secreções sebáceas são mais notórias, uma vez que há menos pêlo para as absorver. A fim de evitar um aspecto oleoso e consequentes problemas de pele, o banho é mesmo obrigatório. A vantagem é que o pêlo seca num esfregar de olhos. Por ser raro, é difícil adquirir exemplares desta raça.
 
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Número 08 - Ano 04 - Setembro 2010
 


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