É uma das mais jovens raças de gatos do mundo e, contrariamente ao que se passa com a generalidade das raças de cães e de gatos, a origem do Burmilla, de tão recente, consegue localizar-se no espaço e no tempo com precisão e rigor, sendo conhecidos os nomes dos progenitores da raça, os nomes dos seus donos e, até, alguns detalhes curiosos da sua história, como seja o facto de ser fruto de um descuido.
Segundo os relatos, um feliz acaso
O Burmilla nasceu, em 1981, resultado de um cruzamento ac

idental entre Sanquist, uma fêmea Birmanês lilás, e Fabergé, um macho Persa prateado do tipo Chinchila. Ambos aguardavam companheiros da mesma raça para procriarem, mas, um descuido do responsável pela limpeza, eles acabaram juntos e o resto, bom, o resto é fácil de adivinhar. O cruzamento ocorreu em Inglaterra, já se sabe, à revelia do desejo da proprietária, a baronesa Miranda von Kirchberg, a qual, porém, percebeu a potencialidade de tal casamento, talvez fascinada com a sedosa e atractiva pelagem das quatro crias, e que passou, de imediato, ao próximo nível: desenvolver um programa de apuramento das qualidades mais desejadas desta nova raça. O Burmilla — que alia as palavras Birmanês e Chinchila — acabaria reconhecido como raça independente logo em 1983, estando, então, já estabelecido o standard da raça. Com o propósito de reunir num mesmo projecto os criadores interessados em propagar a raça, um ano depois, em 1984, foi fundado o Clube do Gato Burmilla. Estavam criados os alicerces desta jovem raça.
“O Burmilla deleita-se com os cuidados de higiene”
Gato pretendido
O que começou com um acaso do destino, ou, para usar de rigor, do desejo felino, sempre alheio a linhagens e pedigrees, acabou por fomentar a ideia clara do que se poderia fazer com esta nova raça. Entre o pretendido e o conseguido, o resultado, por certo, superou as expectativas. Desenvolveu-se um gato activo, mas amistoso, de olhos grandes, redondos, ligeiramente oblíquos e de expressão viva e espantada, com uma aparência delicada e que acaba por reunir o melhor de dois universos felinos.
“Este traquina palrador não tardará a ser o seu melhor amigo”
Gato alcançado
O pêlo do Burmilla é, por norma, curto, denso, fino e lustroso, o qual ganha volume e densidade graças ao subpêlo branco prateado ou branco dourado. Preto, azul, castanho, c

hocolate ou lilás são as cores mais comuns, num gato que tem tudo de raro. É de porte médio, corpo compacto e musculado, pernas finas, cauda semi-longa e cabeça pequena. Nesta, o destaque vai para os seus olhos grandes, imperiosamente verdes, que vão do redondo ao amendoado, de inserção oblíqua, e ao nariz, de tom avermelhado. De tamanho médio, as orelhas são arredondadas e inclinadas para a frente. Ainda que possa chegar aos sete quilos, é um gato elegante, caracterizado ainda pelas suas bochechas. Lilás, lilás prata, chocolate ou chocolate avermelhado são as cores de eleição, sendo que, em caso de pelagem ruiva, os olhos podem tingir-se de âmbar.
Absolutamente fabuloso
No caso do Burmilla, o resultado do cruzamento entre o caprichoso e enérgico Birmanês e o calmo e tranquilo Persa foi mesmo o melhor de cada uma das duas raças envolvidas. Cativante e endiabrado. Este é o resultado da soma de dois factores indiscutivelmente presentes na personalidade do Burmilla: a inteligência e a curiosidade. Por regra, é um gato bem-humorado, destemido — particularmente quando jovens —, daqueles que descobrem como abrir portas, subir pelas pernas d

as calças, escalar cortinados ou portas e a equilibrarem-se depois sobre os varões e sobre as próprias portas, e tudo isto… sem rede. Por vezes, parece mesmo um cão, pela forma como gosta de se rebolar de costas ou por ser capaz de ir buscar coisas ao dono. As suas capacidades não têm limites e surpreendê-lo-ão sempre. Na hora da bonança — que surge de forma tão espontânea como o desejo de brincar com o que quer que seja —, este irrequieto traquinas aconchega-se no colo do dono, e revela-se dócil, meigo e companheiro, daqueles que mantém uma tagarelice constante, como forma de manter o diálogo. Ainda que independente e irreverente, o Burmilla é sociável e afectuoso, do tipo de se deleitar com crianças ou mesmo com a companhia de outros animais e mantém o seu comportamento brincalhão pela vida fora, bem como um lugar cativo, nos seus afectos, para o dono.
“Elegante e bochechudo ele é inteligente e cativante como poucos”
Pequenos caprichos
O Burmilla não necessita de grandes cuidados, sendo recomendada uma escovagem semanal. Em caso de pelagem prateada, a escovadela é mais do que uma recomendação, pois só cuidada ela manterá todo o brilho e esplendor. Todavia, este é um gato que se deleita com estas atenções, chegando mesmo a solicitá-las de forma explícita. E já que o caminho está facilitado, aproveite para o habituar à limpeza de olhos e orelhas e ainda a que lhe corte a ponta das garras. Agora, sim, desfrute-o e divirta-se. Ele, sem dúvida, fá-lo-á sem esforço.